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VANIO COELHO

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  • Vanio Coelho

Éramos cinco

A autenticidade de um povo está no conceito - amplo ou restrito - que usufrui de liberdade. Considerar-se livre simplesmente por que podemos xingar à vontade os políticos e os comerciantes (na Idade Média dizia-se “xingar os barões e os bispos...”), é um engodo.


A liberdade consiste exatamente em sermos livres, e dispormos de meios para conservarmos esta liberdade. No regime representativo, a liberdade de um povo está condicionada aos seus deputados e senadores - que fazem as leis. Esses deputados e esses senadores têm obrigação jurídica, cívica, religiosa e moral de representarem seus eleitores. Não se pode dizer que “tais eleitores são comunistas”, por que votaram num comunista - mas sim: “tal deputado deve defender o divorcio, pois foi pensando nisso que seus votantes o elegeram”. Desde o momento que esses legisladores traem a vontade popular, perdem, moralmente, o seu mandato. Como deveriam renunciar aqueles deputados que votaram no Parlamentarismo: o povo queria o presidencialismo, mas eles nos traíram; depois, com o plebiscito, repudiamos o voto dele, mas nem deram “bola”. E passaram a culpar o Parlamentarismo, e não a sua traição, dos 16 meses de desgoverno. Aqueles que foram eleitos pelo latifúndio, pela indústria automobilística, indústria farmacêutica, pelo USIS (AND IBAD, and IPES, and ADP), ou pelo Clero, está certo votarem contra o povo: foram eleitos para defender os interesses dessas classes.


Mas aqueles, e aqui se encontra a maioria, que foram eleitos pelo povo, para defendê-lo, não podem considerar-se pressionados, quando exatamente o seu eleitorado vem dizer-lhes o que devem fazer, no que devem votar. O eleitorado está usando do seu direito: que votem em seu nome aqueles por ele eleito. Aos deputados que tem medo de cumprirem com dignidade o mandato parlamentar, e se afastarem das bases populares (como fez a UDN e está fazendo o PSD), deve renunciar, devolvendo ao próprio povo (e não ao Partido), o mandato que não souberam honrar, por medo ou por dólares. Agora, como em agosto de 1961, o povo vem às ruas pedindo as Reformas. E os deputados se sentem “acuados”, “premidos”, “ameaçados”, como se vivêssemos uma política de cúpula, e não popular. O povo está nas ruas exigindo as Reformas de Base.


FOLHA ACADÊMICA-Curitiba

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