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VANIO COELHO

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  • Vanio Coelho

A mão que afaga 

O mundo ficou chocado com o assassinato de 32 jovens na Universidade de Virginia, nos Estados Unidos. O mundo tomou conhecimento de mais 200 mortes em Bagdá, em mais um dos atentados contra humanos.


O mundo ignorou as 19 mortes no Morro da Mineira, no Rio de Janeiro, em mais uma batalha do e contra o tráfico, igualzinha a outras em centenas de cidades brasileiras. Perseguem-me os versos escatológicos do Augusto dos Anjos: Vês! Ninguém assistiu ao formidável/ Enterro de tua última quimera./ Somente a Ingratidão - esta pantera-/ Foi tua companheira inseparável! Pois assim segue a vida, meu amigo: vivemos no Brasil uma guerra não declarada onde as leis, quando existem, protegem o agressor e esquecem a vítima. As leis valem para beneficiar, até retroativamente. Mas para punir, estão aí os bem espertos advogados - é sua função - amenizando-as para seus clientes bandidos. E enquanto uma cidade do interior da Virgínia (Blacksburg) mantém uma Universidade com 28 mil alunos dedicados exclusivamente ao estudo da alta tecnologia para combater o avanço asiático, nós, perdidos tapuias, ficamos nos lamentando nos versos do “Poeta Maldito”: A mão que afaga é a mesma que apedreja./ Se a alguém causa inda pena a tua chaga,/ Apedreja essa mão vil que te afaga,/ Escarra nessa boca que te beija.


Releia a íntegra deste poema:


VERSOS ÍNTIMOS

(Augusto dos Anjos)


Vês?!  Ninguém assistiu ao formidável  Enterro de tua última quimera.  Somente a Ingratidão — esta pantera —  Foi tua companheira inseparável! 

Acostuma-te à lama que te espera!  O Homem, que, nesta terra miserável,  Mora, entre feras, sente inevitável  Necessidade de também ser fera. 

Toma um fósforo.  Acende teu cigarro!  O beijo, amigo, é a véspera do escarro,  A mão que afaga é a mesma que apedreja. 

Se a alguém causa inda pena a tua chaga,  Apedreja essa mão vil que te afaga,  Escarra nessa boca que te beija!

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