VANIO COELHO

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  • Vanio Coelho

Navegar é preciso

De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto. Parece que estamos vivenciando a premonição de Rui Barbosa, o cidadão com vergonha de ser honesto. As misérias do Executivo estão desnudadas; quase 300 deputados e senadores aparecem envolvidos na Máfia das Ambulâncias.


Com o suborno de apenas 200 reais, a Nação fica sabendo que, embora com quinze mil funcionários com os maiores salários do país, o legislativo só anda graças aos terceirizados. E nem falei da semana iraquiana vivida por São Paulo onde se agride os catarinenses pela farra dos bois e não veem bandidos dominarem seu ir e vir. Parece a danação daquela musiquinha que tanto se ouve em período eleitoral: se gritar pega ladrão/ não sobra um, meu irmão... Por isso o socorro da coluna aos versos de Fernando Pessoa: Cada vez mais ponho da essência anímica do meu sangue/ o propósito impessoal de engrandecer a pátria e contribuir/ para a revolução da humanidade...


E se, depois de tudo, o querido leitor puder ter um fim de semana tranquilo, por favor, me explique como. Navegar é Preciso Navegadores antigos tinham uma frase gloriosa: “Navegar é preciso; viver não é preciso”. Quero para mim o espírito [d] esta frase, transformada a forma para a casar como eu sou: Viver não é necessário; o que é necessário é criar. Não conto gozar a minha vida; nem em gozá-la penso. Só quero torná-la grande, ainda que para isso tenha de ser o meu corpo e a (minha alma) a lenha desse fogo. Só quero torná-la de toda a humanidade; ainda que para isso tenha de a perder como minha. Cada vez mais assim penso. Cada vez mais ponho da essência anímica do meu sangue o propósito impessoal de engrandecer a pátria e contribuir



Veja a íntegra do poema Navegar é preciso, de Fernando Pessoa:


Navegar é Preciso Navegadores antigos tinham uma frase gloriosa: “Navegar é preciso; viver não é preciso".

Quero para mim o espírito [d] esta frase, transformada a forma para a casar como eu sou:

Viver não é necessário; o que é necessário é criar. Não conto gozar a minha vida; nem em gozá-la penso. Só quero torná-la grande, ainda que para isso tenha de ser o meu corpo e a (minha alma) a lenha desse fogo.

Só quero torná-la de toda a humanidade; ainda que para isso tenha de a perder como minha. Cada vez mais assim penso.

Cada vez mais ponho da essência anímica do meu sangue o propósito impessoal de engrandecer a pátria e contribuir para a evolução da humanidade.

É a forma que em mim tomou o misticismo da nossa Raça.

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