VANIO COELHO

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  • Vanio Coelho

O apreço não tem preço 

Estava pregado no quadro de avisos da uma empresa um poema (falsamente atribuído a Vinicius de Moraes) com o título de “Procura-se um amigo”. É um verdadeiro achado, daqueles que nós é que gostaríamos de ter escrito.


Diz o poema, em certo trecho: Não é preciso que seja de primeira mão, nem é imprescindível que seja de segunda mão. Pode já ter sido enganado, pois todos os amigos são enganados. Não é preciso que seja puro, nem que seja todo impuro, mas não deve ser vulgar. Deve ter um ideal e medo de perdê-lo e, no caso de assim não ser, deve sentir o grande vácuo que isso deixa. Tem que ter ressonâncias humanas, seu principal objetivo deve ser o de amigo. Deve sentir pena das pessoas tristes e compreender o imenso vazio dos solitários. Deve gostar de crianças e lastimar as que não puderam nascer.


A amizade é um dos temas mais gratos e gratificantes do gênero humano. Não há língua que ainda não tenha descrito a amizade, como os americanos “Amigo é aquele que sabe o pior a teu respeito e assim mesmo continua a gostar de ti”. Ou africano: “A amizade é um caminho que desaparece na areia, se não se pisa constantemente nela”; chinês: “A prosperidade traz amigos, a adversidade os afasta”; português: “Antes um inimigo do que um mau amigo”. Os romanos advertiam: “Censura teus amigos na intimidade e elogia-os em público”. Inglês: “Não há pior inimigo que um falso amigo”; francês: “O melhor espelho é o olhar de um amigo”; mongol: “O vitorioso tem muitos amigos, mas o vencido tem bons amigos”; italiano: “Quem de todos é amigo, ou é muito pobre ou rico”; nigeriano “Segure um verdadeiro amigo com ambas as mãos”. E como hoje é domingo, não se esqueça que “Quem é amigo de todos, não é de ninguém. Afinal, Deus mora onde o deixam entrar”.


Conheça na íntegra o poema: Procura-se um amigo

[Nota: este texto corre meio mundo como sendo de Vinicius, mas não é. A sua Obra Completa, Editora Aguilar, não o registra; muito menos o registra a página oficial, mantida pela família do poeta. O pior é que cada diz este absurdo mais cresce.]


Não precisa ser homem, basta ser humano, basta ter sentimentos, basta ter coração. Precisa saber falar e calar, sobretudo saber ouvir. Tem que gostar de poesia, de madrugada, de pássaro, de sol, da lua, do canto, dos ventos e das canções da brisa. Deve ter amor, um grande amor por alguém, ou então sentir falta de não ter esse amor.. Deve amar o próximo e respeitar a dor que os passantes levam consigo. Deve guardar segredo sem se sacrificar. Não é preciso que seja de primeira mão, nem é imprescindível que seja de segunda mão. Pode já ter sido enganado, pois todos os amigos são enganados. Não é preciso que seja puro, nem que seja todo impuro, mas não deve ser vulgar. Deve ter um ideal e medo de perdê-lo e, no caso de assim não ser, deve sentir o grande vácuo que isso deixa. Tem que ter ressonâncias humanas, seu principal objetivo deve ser o de amigo. Deve sentir pena das pessoa tristes e compreender o imenso vazio dos solitários. Deve gostar de crianças e lastimar as que não puderam nascer. Procura-se um amigo para gostar dos mesmos gostos, que se comova, quando chamado de amigo. Que saiba conversar de coisas simples, de orvalhos, de grandes chuvas e das recordações de infância. Precisa-se de um amigo para não se enlouquecer, para contar o que se viu de belo e triste durante o dia, dos anseios e das realizações, dos sonhos e da realidade. Deve gostar de ruas desertas, de poças de água e de caminhos molhados, de beira de estrada, de mato depois da chuva, de se deitar no capim. Precisa-se de um amigo que diga que vale a pena viver, não porque a vida é bela, mas porque já se tem um amigo. Precisa-se de um amigo para se parar de chorar. Para não se viver debruçado no passado em busca de memórias perdidas. Que nos bata nos ombros sorrindo ou chorando, mas que nos chame de amigo, para ter-se a consciência de que ainda se vive.

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