VANIO COELHO

Para acessar os textos do livro "Vento Sul - Velho Vento Vagabundo", escolha uma das opções abaixo!

 
 
  • Vanio Coelho

Tu és um homem, meu filho 

Das lições que o pai passa ao filho a mais difícil é o modelo de comportamento. Afinal, por diversos caminhos se chega à perfeição: pela imitação, que é o mais fácil, pela experiência, que é o mais difícil e pelo exemplo, que é o mais nobre. Não se pode dizer que os versos de “If”, de Rudyard Kipling, representem um modelo a ser praticado. Mas ao longo de seu poema quantas verdades descobrimos? “Se és capaz de manter a calma quando, ao teu redor todos a perderam e te culpam e a todos, no entanto, encontrar uma desculpa?” Ou então não se desesperar ao descobrir ludibriado, não mentir ao mentiroso, entregar-se ao pensamento sem deixar de fazer outras coisas e mesmo sonhar sem fazer dos sonhos seu senhor? Quantas vezes sofremos por ver transformadas em armadilhas as verdades que dissemos, e por isso pagamos elevado preço? Será que o querido leitor seria capaz de apostar, numa única parada, tudo o que ganhou na vida e, se perder, começar tudo de novo e ainda por cima sem nada dizer, resignado? Pois, “se és capaz de, entre a plebe, não te corromperes e, entre Reis, não perder a naturalidade, tua é a terra com tudo o que existe no mundo e, o que ainda é muito mais - tu és um homem, meu filho”!


Íntegra do poema de Rudyard Kipling:


(IF) SE


Se és capaz de manter tua calma, quando, todo mundo ao redor já a perdeu e te culpa. De crer em ti quando estão todos duvidando, e para esses no entanto achar uma desculpa. Se és capaz de esperar sem te desesperares, ou, enganado, não mentir ao mentiroso, Ou, sendo odiado, sempre ao ódio te esquivares, e não parecer bom demais, nem pretensioso. Se és capaz de pensar - sem que a isso só te atires, de sonhar - sem fazer dos sonhos teus senhores. Se, encontrando a Desgraça e o Triunfo, conseguires, tratar da mesma forma a esses dois impostores. Se és capaz de sofrer a dor de ver mudadas, em armadilhas as verdades que disseste E as coisas, por que deste a vida estraçalhadas, e refazê-las com o bem pouco que te reste. Se és capaz de arriscar numa única parada, tudo quanto ganhaste em toda a tua vida. E perder e, ao perder, sem nunca dizer nada, resignado, tornar ao ponto de partida. De forçar coração, nervos, músculos, tudo, a dar seja o que for que neles ainda existe. E a persistir assim quando, exausto, contudo, resta a vontade em ti, que ainda te ordena: Persiste! Se és capaz de, entre a plebe, não te corromperes, e, entre Reis, não perder a naturalidade. E de amigos, quer bons, quer maus, te defenderes, se a todos podes ser de alguma utilidade. Se és capaz de dar, segundo por segundo, ao minuto fatal todo valor e brilho. Tua é a Terra com tudo o que existe no mundo.

5 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo

Vento Sul

Eis que surge o vento sul. Ataca por todos os lados, é frio, é grudento, é a prova de casaco, de lareira e de conhaque.

Eternamente Drumond

Alguns versos aqui publicados semana passada foram suficientes para que leitores atentos lembrasse que, vivo, Carlos Drumond de Andrade...

Muito além do rio

Aquelas arcadas eram suntuosas, mas nos pareciam assustadoras no primeiro dia da matrícula;

©2019 by Vanio Coelho. Todos os direitos reservados, de acordo com a legislação em vigor.