VANIO COELHO

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  • Vanio Coelho

Tubanharon deu Tubarão



Uma cidade há quem, tendo seu nome citado à queima roupa, suscita logo uma exclamação: “Tubarão como nome de cidade”. Para os tubaronenses então, justificar o nome de sua cidade é maior e mais ingente dos sacrifícios. Para uns, o nome apresenta uma certa realeza: “Tu, Barão”, como se fosse uma nobre saudação a um imponente rio (que é xará da cidade). A outros, no entanto, teria subido o rio Tubarão, apesar de ser água doce, e feito muitos estragos. Daí, viria o nome.


TUBARÃO


Situada a três horas de viagem (por rodovia) da capital catarinense, Tubarão é também conhecida como a “Capital do Sul” assim como a próxima Criciúma conhecida como a “Capital do Carvão”. Araranguá, mais ao sul, como “Capital da Farinha”, Laguna, ao norte de Tubarão, como a “Capital da Cultura”, Lajes como a “Capital da Serra”, Blumenau como a “Capital da Indústria”. Como se vê, é muita capital para um pequeno Estado de 94 mil quilômetros quadrados. Em todo caso, nenhuma delas procura derrubar a hegemonia da antiga Desterro, hoje Florianópolis, também conhecida (mania catarinense): como a “Ilha-Capitão”, por situar-se na Ilha de Santa Catarina. Virgilio Várzea, grande vate barriga verde, visitando certa ocasião a “Capital do Sul”, admirou-se da beleza azul do céu (alias, por condições metereológicas especiais, os catarinenses são os mais azuis do Brasil), emoldurada pelos morros verdejantes que circundam o Vale do Rio Tubarão, teria visto tudo azulado, ainda mais realçado pela limpidez das águas do calmo rio, e chamara-a de “Cidade Azul”. Assim, Tubarão pode também ser chamado de “A Cidade Que Tem Três Nomes”.


UMA EXPLICAÇÃO HISTÓRICA


Para a simples informação histórica dos leitores, e s c l a r e c e m o s q u e “ Tu b a r ã o ” v e m d e u m n o m e i n d í g e n a , “Tubanharon”, Tubanharon, ou ainda Tuba Nharô, era o chefe de uma valente tribo de guaranis, que dominavam o vale descoberto por João Teixeira Nunes. Em homenagem ao valente guerreiro, que tombara lutando contra a invasão do descendente português nascido em Laguna, Teixeira Nunes, em 1832, escolhera o nome de “Tubanharon” para a pequena vila, que mais tarde seria a quinta cidade do Estado. PRAIAS Mas a importância turística de Tubarão não está na sua história. Nem na sua indústria (extração e beneficiamento do carvão, duas Usinas Termoelétricas – CSN e SOTELCA, e provavelmente uma Siderurgia em breve). Está sim, nas praias. Há 20 minutos ao norte de Tubarão, estão as belas praias de Cabeçuda e, poucos depois, Laguna, Imbituba, Vila Nova, e Itapirubá. Ao sul, também com meia hora de viagem em carro, está Jaguaruna.


JAGUARUNA


Possui uma característica que poucas praias brasileiras têm: dunas chamadas pelos catarinenses de “cômoros”, essas dunas são o encanto da garotada que, influenciada pelos filmes sobre desertos, sentem-se verdadeiros “beduínos”, ou legendários da “Legião Estrangeira”. Depende apenas do lado que “lutam”. Jaguaruna seria uma praia “despovoada”, no inverno, não fosse a colônia de pescadores ali organizada. E em torno da pesca gerou uma pequena civilização, com escola e comércio. Mas é no quente verão que Jaguaruna regurgita e acontece. Sua bela lagoa, a uns 500 metros do Oceano Atlântico, e protegida por altas e montanhosas dunas, com um azul impressionante, faria maior sucesso que uma Rodrigo de Freitas, no Rio, ou Conceição, em Florianópolis, desde que houvesse pessoal suficiente para aproveitar suas vantagens, como pesca, esqui, natação e vela.


COMO SE ATINGE


Aos turistas, a praia de Jaguaruna aparece como um verdadeiro achado. Quer pela bela lagoa, quer pelas dunas, quer pela violência e majestade oceânica. Jaguaruna, a 25 quilômetros de Tubarão, constitue-se numa verdadeira atração. E com as ligações modernas, e rotas avançadas, por que não dizer, à maneira serrana, que “fica ligo ali”?


O ESTADO DO PARANÁ, 17 JUL 1963

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