VANIO COELHO

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  • Vanio Coelho

JUCA CHAVES Eu sou uma piada

Protestar faz parte da moda, mas bom mesmo é praia, garota e automóvel. “Dizem que sou pobre, feio e narigudo. É verdade que gostaria de ter 20 milhões a mais no banco e 20 centímetros a mais de altura. Mas vejam vocês: se eu tivesse 20 milhões, precisaria ter 20 centímetros a mais?” - e todos riem dessa piada, uma das 500 que Juca Chaves reuniu para apresentar seus programas de televisão. Mas Juca está mudado. O Menestrel Maldito (batismo da imprensa italiana) incorporou-se ao alegre mundo burguês, que ele combatia a seis anos, em São Paulo, com os poetas desagregacionistas, os escritores de participação e os músicos de vanguarda.


Deserdado pela família, um dia apareceu no jornal Shopping News, como Jurandir Chaves. Ganhou uma reportagem, criou fama depressa, fez um tipo de trovador antigo e acabou na Europa, noivo de uma miss. Agora, Juca pode ser visto no Le Bateau, do Rio de Janeiro, bem alimentado, bem vestido, bem fumado e bem bebido. Ou na praia. Principalmente envelheceu. Uma moda, uma novidade, caduca em quatro anos. Mas não decaiu. Juca Chaves mudou de acampamento. Não aparece mais descalço e nem critica o governo; , porém, monopoliza uma boate, um auditório razoavelmente requintado e esnoba, com piadas de bom quilate. Os brasileiros que surgem na Europa, em situações grotescas, dão bom material: Em Roma, um grupo de brasileiros pediu uma audiência ao Papa e, depois da cerimônia, um deles gritou: “E pro Papa, nada?” Em Londres, outro patrício declarou que a Rainha Elizabeth estava um pouco coroa para continuar como miss. E lá vai (Juca Chaves, em Copacabana, fazendo a sua peregrinação com ponto-final na Fiorentina ou na Galeria Dézon, em companhia das aves da noite. “Sabe? A diferença que existe entre mulher e automóvel é que eu posso desligar a chave da máquina na mesma hora desejada.” O menestrel é um produtor de programas, diferenciando-se da classe, pela mania de cigano.


Atualmente, prepara músicas com vistas à trilha sonora do filme Uma Rosa Para Todos, com Cláudia Cardinale, rodado no Rio. Despedindo-se do repórter, entre no seu carro Uirapuru e roda pela cidade, colecionando tipos e conversas várias.


FATOS & FOTOS, 26 de novembro 1966 -Fotos: Esko Murto

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