Vanio Coelho

VANIO COELHO

Para acessar os textos do livro "Vento Sul - Velho Vento Vagabundo", escolha uma das opções abaixo!

 
 
  • Vanio Coelho

Os "Coices de Mula" 

Diariamente chegam à redação cartas e mais cartas, denunciando atos terroristas praticados por “jagunços” e policiais de péssima formação. Muitas dessas cartas, por não trazerem a assinatura do remetente, não podem ser publicadas, e são por nos remetidas à Secretaria de Segurança Publica, para investigação e apuração da verdade; em caso positivo, os policiais são punidos pela Justiça Militar do Estado. E se nós não podemos publicar estas cartas anônimas, é que, e não é raro, elas são portadoras de intrigas pessoais, nada dizendo com respeito à coletividade. , porém as cartas assinadas, como a que o correspondente de Prudentópolis nos envia - e cujo nome omitimos para evitar-lhe ser vitima de vingança - assinadas e datadas, evidenciam que realmente há fogo atrás da fumaça.


É verdade que não cabe aqui defender o Coronel Ítalo Conti. Secretário de Segurança Pública - nem é nossa intenção acusá- lo - mas por um dever de ofício cumpre eliminar a responsabilidade de Sua Excelência, ao menos até o momento da denuncia, quando então passamos a pedir providencia, nesses casos de “coices de mula”, domésticos. A polícia não deixa de ser um órgão administrativo - como qualquer outro - onde os elementos admitidos, sejam bons ou maus, são sempre conservados pelos novos administradores. Uma “varrida” - que nem sempre deixa de atingir pessoas merecedoras de crédito - é tida como vingança e perseguição política, o que arrefece um pouco a iniciativa do governante. E as demissões a bem do serviço público são morosas, custosas, e mínimas. A atual chefia de Polícia herdou dos governos passados - que também não podem ser responsabilizados diretamente - uma casta policial cheia de bons exemplos, que dignificam e honram essa corporação pública. Mas em seu meio - mas notadamente nas pequenas cidades - vão surgindo os péssimos policiais, uns egressos de uma própria experiência no passado, outros pela convivência com os mais frios criminosos que são obrigados a guardar, uns poucos, embriagados, na sua incapacidade de sentir com uma pessoa humana normal, pela sede do Poder: cassetete, revolver e fardamento.


De Prudentópolis surge uma denuncia, que diz o milagre e diz o santo - isto é, denuncia os atos e fornece os nomes. Seria útil à coletividade, e com ela o próprio bem estar da sociedade, que o digno Secretário de Segurança Pública continuasse a examinar todas as denuncias por nos efetuadas, denuncias feitas aqui ou pelas cartas sem assinatura que entregamos em suas mãos - e o bem estar de todos estaria garantido, num regime em que os homens possam ver na Força Publica a garantia da Família e do Lar, e não a destruição do indivíduo.


Publicação: Jornal O ESTADO DO PARANÁ-Curitiba

2 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo

Vento Sul

Eis que surge o vento sul. Ataca por todos os lados, é frio, é grudento, é a prova de casaco, de lareira e de conhaque.

Eternamente Drumond

Alguns versos aqui publicados semana passada foram suficientes para que leitores atentos lembrasse que, vivo, Carlos Drumond de Andrade...

Muito além do rio

Aquelas arcadas eram suntuosas, mas nos pareciam assustadoras no primeiro dia da matrícula;